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Teoria Básica - II
Características Técnicas do Som - I
Direcionalidade - Salvo acidentes físicos, como anteparos ou variação do meio de propagação, por exemplo, o som tem direção praticamente constante. Isso nos permite posicionar corretamente painéis para a correção que se deseje. Mas nunca esqueça que o som se propaga em todas as direções e não apenas, simbolicamente, como um único raio.
Freqüência
- Certamente a característica mais importante do som. Principalmente para os
músicos e para quem gosta de ouvir música em ambiente perfeitamente
"sintonizado" acusticamente. Sem o conhecimento do que é freqüência não é
possível determinar-se o que precisa ser corrigido corretamente na sua
sala de audiência.
A freqüência é o inverso do período. E o período é o quê? Considere um eixo
cartesiano. Uma reta horizontal cortada por uma vertical ortogonalmente.
Lembra da onda mostrada na Fig. 1 ? Uma onda senoidal completa avança desde
o ponto inicial da curva mostrada, subindo desde o nível "zero" (reta
horizontal) até um ponto máximo, a "crista" . A partir daí
retorna à linha do ponto "zero", ultrapassando-a e seguindo para baixo
até o ponto máximo negativo, que é uma crista invertida (negativa). Daí ela
retorna, subindo, para a linha "zero". Completa-se exatamente aí um
ciclo, fazendo o desenho de uma letra "S" deitada. Se não deu
para entender, não se afobe: olhe novamente o desenho da onda senoidal da Fig. 1. A cada
"S" completado diz-se que a onda realizou um ciclo. Isso é feito
seqüencialmente, obtendo-se, então, a alternância necessária para gerar um som, uma
freqüência.
Se em 1 segundo essa onda avançou 60 vezes (sessenta "esses"),
obteve-se 30 cristas positivas e 30 negativas, diz-se que a freqüência é de 60 ciclos
por segundo (60cps). Mais modernamente: a cada ciclo por segundo corresponde 1Hz
(Hertz). Agora, fazendo analogia com a eletricidade -- lembre das semelhanças
entre fórmulas -- você já pode entender porque a energia elétrica que
você recebe nas tomadas da sua casa tem 60Hz (em algumas regiões européias a energia é
distribuída em 50Hz). A energia elétrica referida é alternada (CA), exatamente
porque é gerada com ciclos alternados, positivos e negativos. A cada segundo ela se
alterna 60 vezes, sendo 30 pulsos positivos e 30 pulsos negativos. Quanto mais ciclos, em
acústica, forem gerados em um segundo, maior a freqüência e,
conseqüentemente, mais agudo será o tom -- 60Hz <120Hz <440Hz <3600Hz,
.... Você já viu um teclado de piano? Quanto mais à direita estiver a tecla tocada mais
agudo é o som. É como se você estivesse "colocando" mais ondas dentro do
tempo padrão (um segundo). Volte à primeira página e relembre a história da gillette
presa na mesa: se você diminuir o pedaço solto (o que vibra) ele completará mais
ciclos num determinado tempo e o som gerado será mais alto (agudo). Se você reduzir o
comprimento da parte solta da gilete para a metade do que era, o som será dobrado na
sua frequência. No teclado do piano isso corresponderá a uma
oitava.
Em resumo : quanto mais ondas dentro do período, maior a freqüência.
E para que serve a freqüência, se eu quero apenas melhorar a acústica da minha sala?
O som que vem da caixa acústica é composto. Várias freqüências vêm "misturadas". E você tem que conhecer muito bem isso, sem o que não vai conseguir corrigir as deficiências (todas !!) da sua sala.
Intensidade - Se você medir a distância da linha "zero" (abcissa) do eixo cartesiano que falamos no parágrafo anterior até a crista da curva senoidal, o valor encontrado será sempre o mesmo, em se tratando de uma onda "pura" e contínua. Quanto maior for esse valor, maior a intensidade do som, maior amplitude, que chamamos popularmente de "volume". Em resumo: ondas mais altas; maior intensidade de som, maior "volume".
Timbre - É a característica do som primordial para os músicos. É ela que
traduz aos nossos ouvidos a alma dos instrumentos musicais e também da voz humana. É
fácil explicar o que é o timbrena prática. Imagine dois instrumentos musicais, um piano
e um violão, por exemplo. Se você ficar de costas para eles e mandar uma pessoa tocar a
nota Lá (médio) no piano (em torno de 440Hz) e em seguida a mesma nota (440Hz) no
violão com a mesma intensidade da primeira, provavelmente você distinguirá qual o
instrumento que tocou a cada vez. Ou seja, nós somos capazes de distinguir a mesma
freqüência produzidas com a mesma intensidade em diferentes fontes sonoras. Quem
"faz" isso é o timbre. Outra comparação: você conhece muito bem as vozes dos
seus amigos, sem ver quem está falando. Por quê isso ocorre? Aí entram parâmetros meio
complicadores. Para entender nem que seja um pouquinho, no início: um som gerado por uma
fonte sonora, um piano por exemplo, nunca é uma onda senoidal pura, aquela
simétrica,"certinha", do nosso desenho lá atrás. Aquilo é só para as
pessoas terem uma noção teórica imediata do que é o som. Na prática, cada vez que se
toca uma nota no piano o som gerado pela corda que vibra emite, juntamente com
a nota principal, vários outros "sons" de freqüência diferente da fundamental
(no exemplo dado sobre o timbre, aí em cima, a fundamental seria de 440Hz). Como a
fundamental tem intensidade maior, parece-nos que ela foi a única gerada. Na verdade os
outros sons gerados complementam-se de maneira mais ou menos ordenada, harmonicamente,
em oitavas e frações de oitavas. Uma oitava corresponde a dobrar a freqüência
fundamental, isto é; a oitava do Lá 440Hz do piano é o Lá 880Hz. As harmônicas
ocorrem de maneira individualizada para cada instrumento-fonte-sonora.
O resultado dessa soma de intensidades e freqüências diferentes é que dão o
timbre do instrumento, permitindo que se identifique imediatamente qual é ele. Faça
experiências e perceba isso.
Em resumo : o timbre é a impressão digital de
uma fonte sonora.
Agudos, médios e graves
- É impressionante como a maioria das pessoas
fala sobre graves, agudos, médios e coisas afins. Poucas, entretanto, sabem
distinguir ou explicar porquê os sons graves parecem reproduzir-se "mais alto"
em sua sala. Alguns percebem esses sons acabam vibrando mais que os outros. Mas ficam por
aí. Antes de entrar nesse assunto específico, você deve saber sobre a mistura de
freqüências que compõem o som que sai da sua caixa acústica. É necessário isso para
que se possa determinar exatamente a faixa de freqüências que se quer reforçar ou
atenuar. Então, vamos lá.
Você já viu que o som que se ouve comumente não é puro, isto é, uma senóide
(a não ser aqueles gerados por instrumentos eletrônicos próprios para análise
de equipamentos de áudio). Mesmo apenas uma nota teclada em um piano já traz consigo
várias freqüências juntas, como vimos acima. Imagine agora várias notas tocadas ao
mesmo tempo. E ao mesmo tempo, também, vários instrumentos com timbres diferentes
tocando juntos ! É muito difícil que uma sala que não tenha sido projetada
corretamente em função de todos esses dados consiga realçar todas as
freqüências dentro de um nível de intensidade sonora correto. Para contornar essa
"balbúrdia" é que surgiram os equalizadores de som, aqueles equipamentos que
se parecem com um amplificador, só que com inúmeros botões geralmente deslizantes na
vertical. Cada um desses botões, variando desde (-x Db) até (+x
Db), reforça ou atenua estreitas faixas de
freqüências a fim de, atenuando uma determinada faixa de frequências,
ajustar os timbres, a intensidade e os efeitos indesejáveis que eles causam juntos. Hoje
em dia, com a proliferação de equipamentos "compactos" de som, a equalização
já vem estabelecida de fábrica (neste caso em faixas bem mais amplas e estanques e não
ajustáveis gradativamente como nos equalizadores mencionados) com nomes pomposos, tipo
"Hall", "Rock", "Pop", "Jazz"
etc. Isso funciona primariamente, mas você jamais terá a equalização que sua
sala pede já que você não pode estabelecer qual a faixa de frequências desejada para
alterar. A não ser que tenha muita sorte dos projetistas terem utilizado para os
cálculos da equalização os mesmos parâmetros oferecidos pelo seu ambiente. Deixemos de
piadas. O que falamos aqui serve para você começar a entender como é complexo o som que
sai da sua caixa acústica e deixar de acreditar em tudo o que aquele seu amigo
"cobra de som" fala. Provavelmente ele acabará sabendo menos que você. Por
isso, continue lendo...
Cada sala tem uma planta (distribuição e localização das paredes) diferente, um
volume diferente, móveis (e suas localizações) diferentes, revestimentos e
janelas diferentes e ... Vai daí que o simples conceito de graves e agudos, atenua isso,
reforça aquilo, que muita gente tem empiricamente, pode estar bem errado.
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