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Teoria Básica
Pequenas Dicas Práticas
Faltou explicar que prática, em assunto como acústica, tem resultados muito relativos, em virtude do grande número de variáveis envolvidas na solução dos problemas, todos eles geralmente com particularidades especiais. Mas as informações aqui prestadas são resultado de aplicação da teoria com as correções que a prática recomenda.
O desenho da sua Sala
É claro que você vai entender ser impossível eu advinhar o exato desenho (a
planta) da sua sala ! Vai daí que, por isso, será tomado uma planta padrão,
retangular, paredes planas (sem curvaturas ou desvios), teto idem, idem.
Surge o primeiro ponto que faz diferença: a proporção entre as dimensões comprimento, largura, altura. Internacionalmente adotada, a fórmula que procura estabelecer uma proporção ideal que possa ficar livre ou quase isso do excesso das reflexões que ocorrem nas frequências médias e graves (atenção: essa formulação não é alquimia, mas sim baseada em aplicações práticas posteriores ao estabelecimento de cálculos baseados nas características fundamentais da acústica - velocidade do som, teoria das reflexões, amortecimento do som etc). Não é necessário dar nome a quem estabeleceu a proporção. Basta que se saiba que o Comprimento, a Largura e Altura do ambiente deve seguir aproximadamente a proporção:
C x L x A > 12,4 x 9,3 x 6,0
Pode-se usar, também, a proporção 5 x 3 x 2, mas a dada primeiramente é mais aproximada para qualquer ambiente. Certamente sua sala não tem essas dimensões nem, muito menos, essa proporção entre seus planos. Calma... A de nenhum dos leitores deve ter também. Mas é bom lembrar que, como na engenharia o maior amigo do engenheiro é o concreto, o maior amigo do técnico em acústica é o próprio ouvido humano. Se as dimensões do seu ambiente não estão próximas o bastante dessa proporção, (até mesmo as salas que estão permitindo uma boa audiência com certeza não devem estar dentro dos números, exatamente), nossos ouvidos dão uma grande chance pra nós. Eles estão longe de serem perfeitos ou até precisos. Daí que não é preciso sair derrubando paredes nem rebaixando teto. As diferenças a pior que se poderá obter na maioria das vezes são compensadas por algum tratamento e pelos nossos cúmplices amigões, os tais de tímpano, martelo e bigorna - e seus comparsas. Fossem seus ouvidos tão bons quanto um par de microfones, a coisa ficava ruim.
Divida por dois os termos da proporção ideal e obterá, aproximadamente, 6,20 x 4,6 x 3,0. Aí já chegamos mais próximos de muitas salas, embora a proporção exata possa estar um pouco diferente. Para facilitar nos cálculos, considere 6 x 4 x 3. Assim, sua sala padrão terá 72 metros cúbicos.
Antes de ir em frente é bom lembrar que o conceito básico de som estereofônico - perceber som vindo de duas fontes - não funciona na maioria dos ambientes caseiros, tudo por conta da geometria da sala, dos móveis, da decoração etc. Na verdade, para os puristas, a única forma completa de ouvir som estereofônico é usar headfones ! Até que esses chatos têm razão !
Veja no quadro dos tempos de
reverberação ótimos que uma sala, para a audiência de música, deve ter um tempo de
reverberação pouco abaixo de 1 seg. O gráfico foi elaborado para grandes ambientes mas
serve. Considere a reta para Orquestras.

| DICA - Se lhe parecer que sua sala tem um tempo muito maior que esse, não vá começar estabanadamente a forrar paredes com material tipo cortiça, derramar um grosso tapete no chão, encher o chão com dezenas de almofadas e rebaixar o teto com gesso do tipo "furadinho", como muitos fazem e dizem que a sala tem tratamento acústico. Isso, na verdade, só faz reduzir drásticamente os sons agudos e médios e sua sala fica parecendo um velório, onde todo mundo fala baixinho. Fica surda, no jargão da acústica, muito mais apropriada para estúdio de gravação de voz. |
É certo lembrar que cada ambiente deve ser
tratado para três faixas de frequências: 128, 512 e 2.500 Hz, aproximadamente.
Se o tempo de reverberação for inferior a 1,5 segundo (veja como testar
nos artigos anteriores) você não tem que fazer muita coisa. No máximo acrescentar, se
possível, um revestimento absorvente (tinta especial ou cortiça) na parede
disposta frontalmente às caixas acústicas, dispor pequenos tapetes bem junto
- na frente e sob - cada uma caixa, concentrar mais quadros
em uma das paredes laterais e deslocar móveis estofados para essa parede. Deixe a outra
lateral como está. Um pouquinho de reverberação não faz tanto mal. A não ser que
você seja daqueles que ouve rock pesado e faz questão que os vizinhos e os transeuntes
também ouçam.
Se o tempo de reverberação for maior que isso, você vai ter que perder algum tempinho a mais.
Primeiro, saiba que a colocação das caixas acústicas deve obedecer a critério lógicos e até óbvios para a maioria das pessoas :
- Nunca as coloque de frente uma para a outra.
- Coloque ambas de costas para a parede de menor dimensão (isso não é obrigatório) mas não tão junto das paredes laterais. Dessa maneira, o melhor lugar - ponto - de audiência será o vértice de um triângulo equilátero (três lados iguais) oposto aos dois onde estiverem as caixas. Tome as medidas citadas no parágrafo anterior quanto aos pequenos tapetes sob as caixas.
- Para reduzir mais um pouquinho o tempo de reverberação, use um biombo de material absorvente (vá com calma; não vá imaginar material absorvente de outra forma. Logo você vai saber direitinho) colocados numa posição mais distante possível mas de frente para as caixas, possivelmente junto à parede frontal a elas.
- Se possuir, use um equalizador gráfico (aqueles cheios de botões deslizantes verticalmente). Geralmente eles tem dois conjuntos de botões, sendo um (conjunto) para o lado esquerdo e outro para o lado direito. Em cada conjunto desloque-os até formar com eles uma linha sinuosa (algo como um "C" espichado, deitado com a costa para baixo) como mostramos. Com essas posições se obtem na maioria dos casos a melhor audiência. O principal de tudo é que você deve testar exaustivamente, ouvindo em vários pontos geométricos da sua sala qual a melhor posição para cada um dos controles de graves, aqueles mais à esquerda e mais à direita do outro conjunto. Cada ambiente tem sua reverberação própria para cada faixa de frequência, e isso ajuda muito na hora de definir, na prática, qual a melhor situação.
Se o tempo de reverberação for superior a 2 segundos, estamos diante de um tratamento acústico de verdade. Mas... vamos lá.